Sobre uma geração que cresceu sem mapas, e a coragem antiga
de voltar a conhecer o caminho de casa.
Você não está perdido por defeito seu. Você está perdido porque te deram um mapa censurado.Da abertura do livro
Existe uma geração que conquistou tudo o que lhe ensinaram a desejar: diploma, emprego remoto, salário acima da família que a criou, viagens, terapia, academia, namoro de aplicativo. E que, dentro disso tudo, sente que está vivendo uma vida que não entende.
Não é burnout. Não é depressão. Não é uma faixa do gráfico de produtividade. É outra coisa, mais antiga, para a qual o vocabulário contemporâneo simplesmente não tem palavra.
Meninos Perdidos é um livro sobre essa coisa. Sobre por que ela acontece com gente boa, técnica, esforçada, que fez tudo certo. E sobre o que os antigos sabiam que nós esquecemos.
O sofrimento de receber um mapa incompleto e culpar-se por não saber se localizar é um dos sofrimentos mais cruéis da vida contemporânea. E é o sofrimento da sua geração. Este livro tenta redesenhar as partes apagadas do mapa.
Se você tem entre vinte e dois e trinta e cinco anos, foi criado dentro de uma cultura que sistematicamente definiu o sucesso como acesso maior e mais constante a divertimento. Trabalha para o feriado. Aguenta a segunda pela sexta. Aguenta a faculdade pelo diploma pelo primeiro salário pela primeira viagem internacional pela experiência pela story.
Aristóteles, há dois mil e trezentos anos, diagnosticou essa arquitetura mental numa palavra grega só. Paidiodês. Próprio de criança.
Não é xingamento. É descrição técnica. Adulto, no sentido antigo da palavra, é uma criatura que organiza a vida em torno de outra coisa. E a sua geração não recebeu vocabulário para nomear essa outra coisa.
Em algum momento entendi que não era epidemia local. Era epidemia de geração. E que alguém precisava escrever o livro que eu queria ter lido aos vinte e cinco. Este é o livro.
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Lançamento previsto para 2026.